Na Rua das Flores, o passo é apressado,
Mosaico de pedra que o tempo pisou,
Curitiba desperta num tom cinzento e frio,
Onde a multidão passa, mas ninguém, de fato parou.
No calçadão largo de passos cruzados,
Cruzam-se olhares sem nunca se quer ver,
Histórias inteiras em mentes fechadas,
Que o vento da tarde não deixava saber.
Ninguém quer saber da ferida que sangra,
Da dor invisível que o peito carrega,
Sua empatia é apenas teoria,
Uma fala bonita que na prática cega.
Pessoas sentem frio, animais sentem fome,
Por que poucos se importam? As correntes se escoram.
Uma XV tão vasta, mas, ao mesmo tempo, tão nefasta
A presença já não importa, querem é sua revolta.
Ignoram seu peso, mas medem seus passos,
Te julgam pelo tom, pela pose, pelo chão,
Não importa o colapso por trás do casaco,
Apenas a cena que mostram na multidão.
Passamos ao lado de mundos inteiros,
Numa cidade acesa que não quer ouvir,
Onde julgar seu agir é fácil e ligeiro,
Mas entender sua dor... ninguém quer sentir.

Equipe Olhar de Sabiá
Emilly, 20 anos. Redatora, fotógrafa e pesquisadora apaixonada pelo universo da cultura, do esporte e do cotidiano. Acredita que a sensibilidade e a curiosidade são essenciais para transformar a rotina em notícias e registros marcantes, com uma apuração jornalística ética e precisa.





