Talvez eu não queira ser eu.
Talvez eu queira ser ela, ou até mesmo ninguém.
E a verdade é que talvez isso não seja tão ruim.
Talvez não me ser seja uma coisa boa:
trocar de cérebro, rotina, preocupações, família e emprego.
Talvez eu queira saber latim,
morar no Batel e ir correr no Barigui.
Seria tão ruim assim?
Virar projeção astral,
olhar, olhar, enxergar, enxergar
além de dois palmos de mim,
além da rua esburacada e da calçada alagada.
Talvez seja ruim desejar a mulher do próximo,
cansar do salgado do terminal e da bebida barata do Largo.
Principalmente perder o medo...
Ah, isso sim é definitivamente ruim.
Talvez até …
— Próxima parada, estação, Eufrásio Correa






