Olhar de Sabiá

CULTURA

Hip Hop ainda luta para se desenvolver na capital paranaense

Apesar do marco olímpico e do recente reconhecimento da cultura do breaking como utilidade pública, a comunidade local aposta na coletividade para superar a desvalorização e manter a cultura de rua viva.

Arthur Froes, Davi Guiarzi e Pablo Ryan

Fotografia: Pablo Ryan

Desde a década de 80, jovens curitibanos se reúnem na calçada em frente ao Shopping Itália para praticar breaking. Parte do movimento Hip Hop, a dança enfrenta preconceitos e marginalizações devido ao seu caráter popular e periférico.

O reconhecimento global do esporte nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 marcou uma evolução contínua para a profissionalização da cena local. No entanto, a ausência da prática confirmada nos Jogos de Los Angeles 2028, reforça a necessidade de estruturação e sustentabilidade para além do ciclo olímpico. 

Para quem almeja viver da dança na capital paranaense enfrenta dificuldades devido à falta de demanda no cenário. Um dos obstáculos são as oportunidades de trabalho, que além de serem poucas, são desvalorizadas. Essa depreciação não se restringe apenas à remuneração, mas também à percepção das pessoas que não estão inseridas nesse meio. 

Dançarino há mais de 30 anos, Rafael Benthien estrutura eventos de Hip Hop e competições de Breaking há 10 anos em São Paulo. Ele relata que um dos motivos para os grupos de dança acabarem é a falta de oportunidades para apresentarem seus talentos.

Batalha de breaking da 18º edição do evento Street Style em CuritibaFoto: Davi Guiarzi

Um dos fatores para a baixa frequência de eventos é a repulsa e os estereótipos que parte da população tem com o breaking. Professor de dança do Estúdio JS, Samuel Silva critica que, por ser enraizado na comunidade negra e de classe média, existe uma apropriação cultural das características do movimento.

Samuel lamenta que o preconceito faça com que o desenvolvimento da dança e do movimento regrida. “Enquanto ainda houver marginalização das pessoas, essa cultura também será marginalizada”.

Crescimento e desenvolvimento

Competições e eventos de Hip Hop, quando é feito um trabalho de divulgação, atingem todo tipo de público. As pessoas se impressionam com os movimentos do breaking, gerando interesse e até mesmo vontade de praticar. Benthien relata como o papel do marketing é importante para o desenvolvimento do movimento. “Acredito que, nos dias de hoje, devido a um maior uso do marketing e da propaganda, nós temos um espaço maior do que tínhamos há 10 anos atrás".

No campo institucional, um marco relevante ocorreu em dezembro de 2025, quando a Câmara Municipal de Curitiba aprovou por 23 votos favoráveis o reconhecimento de Utilidade Pública à Federação Paranaense de Breaking (FPRB). Apresentado pelo vereador João da 5 Irmãos (MDB), o projeto de lei (014.00058.2025) vem agregando na formação esportiva, cultural e social das pessoas inseridas à prática.

A medida fortaleceu as ações da federação, que já vinham ganhando visibilidade com as olimpíadas. Presidente da Federação Paranaense de Breaking (FPRB), Sesóstris Filipe relata que foi um momento fundamental para valorizar o esporte.

A entidade mantém iniciativas como as etapas do Circuito Paranaense de Breaking e oficinas gratuitas em bairros como Cajuru, Boa Vista e Bairro Alto, voltadas à inclusão social e ao treinamento de atletas. 

A  renovação de gerações é um dos pontos essenciais destacados por Benthien. Segundo ele, o cenário do breaking se fragiliza quando não há novos dançarinos para fomentar o movimento. “Vemos uma constante de várias crews (grupos de dança), que têm uma história grande dentro do Hip Hop, acabando por não formar novos dançarinos para manter o legado”.

Retrato de Arthur Froes

Equipe Olhar de Sabiá

Arthur Froes

Sou editor de vídeo. No Olhar de Sabiá, estou junto à equipe do Audiovisual e, às vezes, escrevo.

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Davi Guiarzi

Tenho 23 anos, escrevo e fotografo. Pra mim, uma fotografia é a melhor forma de viajar no tempo e aprender com a história.

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Pablo Ryan

Oi! Meu nome é Pablo Ryan, sou fotógrafo e gosto muito de criar narrativas documentais por meio das imagens. Dentro do Olhar de Sabiá, faço parte do setor de audiovisual.

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