Em Curitiba, as denúncias de maus-tratos a animais acontecem de forma recorrente. O estado não consegue suprir a alta demanda, o que sobrecarrega protetores e Organizações Não Governamentais (ONGs). Em 2025, a capital paranaense registrou mais de 8.236 denúncias de maus-tratos aos animais, em maior parte, cães e gatos.
Além do abandono e do descaso, os animais de rua enfrentam a constante exposição a doenças presentes no próprio solo. Segundo a fundadora do Grupo Força Animal, a médica-veterinária Danielly Savi, de 41 anos, uma das infecções mais comuns e de fácil contágio é a esporotricose. Causada por fungos do gênero Sporothrix, a doença é de alto contágio e, embora cães também sejam infectados, os gatos são os mais afetados.
Ela ressalta que o fungo é encontrado no próprio solo e que falta conscientização acerca do tema.
O custo do tratamento é elevado, especialmente em estágios avançados, demandando o uso de pomadas, curativos e medicamentos específicos, além de um manejo cuidadoso das lesões.
Embora a Prefeitura de Curitiba ofereça suporte ao tratamento de esporotricose — por meio de uma ação conjunta entre a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), a Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) e a Rede de Proteção Animal —, protetores alertam que a estrutura atual não dá conta da demanda. Diante da alta de casos nos últimos meses e do grande número de animais abandonados, a conscientização pública tornou-se uma medida urgente.
De acordo com o Censo Animal de 2023, Curitiba possui cerca de 584 mil cães e 185 mil gatos. Desse total, cerca de 71 mil cães e 69 mil gatos estão pelas ruas sem os tutores.
FALTA DE APOIO FINANCEIRO
Apesar dos milhares de seguidores e simpatizantes nas redes sociais, apenas uma parcela ínfima se transforma em ajuda real, seja por meio de doações financeiras ou de trabalho voluntário.
É o que acompanha de perto a estudante de psicologia Ericka Bertol, de 19 anos, voluntária na Associação Adote um Vira-Lata há mais de um ano. Ela destaca que, além dos casos crônicos de maus-tratos, o abandono na cidade é incessante. Atualmente, a instituição abriga nove animais diagnosticados com esporotricose.
Atualmente, o Grupo Força Animal mantém cerca de 600 animais de diferentes espécies (cães, gatos, cavalos, vacas, porcos, cabritos, ovelhas, coelhos, aves). Somente em ração, são consumidos 3.820kg por mês, com parte recebida graças a doações. O custo mensal fixo da ONG passa dos R$60.000,00, fora os medicamentos e demais despesas, como o aluguel do rancho que os animais ficam.
Ela destaca que algumas pessoas não entendem o trabalho de um protetor independente, e por vezes, fazem críticas quando não é possível fazer o resgate:
Para Ericka, qualquer gesto pode mudar a vida de um animal:
Qualquer valor faz a diferença! Aquele real parado na sua conta pode salvar um animal hoje. Não tem como doar dinheiro? Compartilhe! A sua divulgação pode alcançar quem tem condições de ajudar com Pix, ração ou carinho e um lar temporário.
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Equipe Olhar de Sabiá
Emilly, 20 anos. Redatora, fotógrafa e pesquisadora apaixonada pelo universo da cultura, do esporte e do cotidiano. Acredita que a sensibilidade e a curiosidade são essenciais para transformar a rotina em notícias e registros marcantes, com uma apuração jornalística ética e precisa.





