Na noite infantil,
um março
instável.
Cheio de mudanças
e cores.
Extasiadas da viagem,
e perdidas,
entre risos de empolgação.
Pela primeira vez,
as meninas compreendiam...
A questão da imensidão.
Que com carinho clandestino
guarda o destino
incerto;
das memórias fluidas.
Ao chegarem ao quarto
pequeno,
com um banheiro estranho;
cujo box era
quase transparente.
Gargalhadas eclodiram
das barrigas famintas;
ressoando pelo corredor.
Era um ode, uma fome
de liberdade.
O labirinto
infinito do novo.
As pequenas descobertas,
da respiração
singela e simples.
“Acho que existimos”,
os sorrisos
afirmavam.
“Nossa vida,
acaba de começar”.
Os paços
tardios
nos paralelepípedos.
Tortos,
desajeitados.
Como nós,
que ríamos abobadamente
de tudo que passava
e nos via.
Ahh!
Essa memória
distante
de duas crianças
errantes,
que no pé dos trilhos
Trocavam palavras
de angústia,
e indignação.
Da pequinês
de nossa existência.
Que mera
existência.
Da podridão
e falsidade
da humanidade.
“Tudo é bem maior
que isso;
tenho certeza
que há algo a mais
para nós”.
Parece clichê
a nostalgia
das conversas juvenis.
De nossas
memórias infantis.
As mágoas
e lembranças
que guardamos
com carinho
no afeto.
Que sempre
transmitimos
no abraço,
de quando
nos encontramos.
Por isso,
sempre que o letreiro
do Hotel San Juan
aparece no campo de visão,
A memória resgata.
Absorbe a mente
em risos antigos,
que ecoaram
na calada da noite,
enquanto saltitávamos pela rua.
Imersas
na imensidão.
Em nossa descoberta
do mundo.
Início dos sonhos.
Nossas almas
cantavam alegres,
enquanto os sorrisos descansavam.
A noite chuvosa
acolhia.
O gelado
da estação quente,
em partículas de sabedoria.
Condensadas nas poças acumuladas
nas calçadas da sete de setembro.
Naquela noite,
Querida amiga.
Senti,
que era
para sempre.
A felicidade
do novo.
A sensação
de vida
que, com certeza
Exalávamos,
ao correr
pelas ruas desconhecidas,
pela cidade nova.
Vida nova.
As luzes
ofuscantes
dos semáforos;
tão, tão,
vermelhas.
Irradiando
o melhor de nós.
O melhor de
nossa juventude:
a felicidade plena.
Agora,
todas as vezes
que os passos
ecoam
naquela esquina.
Da avenida
cumprida.
Só se consegue
ouvir,
as risadas jovens.
Nosso tão clamado,
saudoso,
e feliz
riso
de liberdade.
Seremos
sempre parte
da melodia ventosa
das noites
chuvosas.
Sempre jovens
na lembrança.
E sempre felizes
nos ecos de eternidade
da rua sete de setembro.






