Um ato em pró da democracia não é algo irrelevante. Pelo contrário, é nesses momentos que coisas importantes acontecem. No último domingo (18), milhares de curitibanos e moradores da região metropolitana se reuniram na Praça 19 de Dezembro, no centro da cidade.
Estavam presentes estudantes, coletivos, torcidas organizadas e apoiadores gerais do presidente Lula. Independentemente da classe social, gênero ou sexualidade, todos que caminharam até os arredores do Palácio Iguaçu tinham um sentimento em comum: esperança.
Mais de 50 mil pensaram dessa forma simultaneamente, e mesmo com a chegada do pôr do sol, não deixaram de expressar sua insatisfação com o cenário político local. Eles gritaram, cantaram e lutaram para não ter seus direitos limitados ou revogados. Também se revoltaram contra aqueles que flertam com sacrificar a soberania nacional, sem se importar com o povo brasileiro.
Uma dessas pessoas é o aposentado Júlio Menezes, que apesar de ter 70 anos, votou pela primeira vez somente nas eleições de 1989. Ele passou a adolescência e parte da fase adulta vivendo na ditadura militar, quando a liberdade política e o direito ao voto não existiam no Brasil. "Eu vou votar, apesar de não precisar. Vou votar porque quero meu país soberano, o Brasil é nosso, e as nossas riquezas são nossas."
Os atos dos dias 8 e 18 são um atestado de incomodidade frente aos mais de 57% de votos válidos que acreditam em uma família divergente, na qual seus membros não defendem a coletividade, a independência e o acesso cultural que uma cidade deve ter (ou, no caso, um país). Os eleitores esperam que na próxima vez que forem às suas seções eleitorais, o resultado impresso nas urnas seja diferente.
Esse cenário é almejado principalmente pela juventude curitibana, que, representada por seus coletivos e diretórios, se politiza e avança pelas ruas em pró da democracia e de um país plural. A presença deles emociona seu Júlio, que comemora a participação política dos jovens na cidade.
Centenas de frases e mensagens eram vistas erguidas por mãos efervescentes, que seguiam em uma só direção. A princípio, o ato se concentrou na Praça 19 de Dezembro, quando os primeiros aglomerados de pessoas começaram a surgir às 13h. Por volta das 14h30, a multidão iniciou seu percurso em direção à Praça Nossa Senhora de Salete, no Centro Cívico.
Em certo momento, alguns manifestantes colaram adesivos e cartazes na sede do Partido Liberal (PL), preenchendo os portões e o banner que ficam de frente para a Avenida Cândido de Abreu. Prevendo o uso desse acontecimento como ataque eleitoral por políticos de direita, os adereços foram devidamente removidos (quase que inteiramente) por outros participantes (veja o vídeo).
Era comum encontrar cartazes em pró da cultura, do cinema, da liberdade de gênero e de políticas públicas. Entretanto, a manifestação em si, além das críticas sociais, teve um caráter de convencimento. O ato serviu para mostrar aos próprios curitibanos as mensagens e ideias defendidas pelo lado político minoritário da cidade (pelo menos até então).
Mestranda em Agronomia, Gabriela Peres enfatiza a importância de conseguir transmitir algo para aqueles que se permitem ouvir. "É um sentimento bom, emocionante de certa forma, ver tanta gente unida, principalmente aqui no Paraná."
As ruas começaram a esvaziar só ao entardecer, quando as luzes dos postes se acenderam. Mesmo assim, pessoas pulavam, cantavam e comemoravam sua liberdade em frente ao Memorial de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, próximo à entrada do Largo da Ordem. Essa energia, eles esperam, será levada às urnas, no próximo domingo (25), nas eleições presidenciais do segundo turno.
Assista a um vídeo produzido pela equipe do Olhar de Sabiá sobre o ato democrático, clicando aqui.






